Educadora era chamada ‘mão de ferro’ por sua dureza na disciplina

A comemoração do centenário da professora ‘mão de ferro’, como era chamada a educadora Nadir Souza, foi repleta de aplausos e emoções de todos que compareceram, na noite de quarta-feira, dia 3, à Igreja Batista do Farol. Ela lecionou por mais de 40 anos no extinto Colégio Batista Alagoano. Foi, inclusive, diretora do antigo Primário, hoje, Ensino Fundamental.

Os testemunhos de três ex-alunos – a assistente social Arlete Quiorato, falando sobre sua biografia; o pastor Társis Wallace, contando a experiência que teve com ela quando cursava o 4º ano Primário; e o empresário Jorge Tenório Maia, este por escrito, em carta lida por sua nora – apresentaram a educadora como uma pessoa dócil, extraordinária, amorosa.

“Enquanto o mundo estava em guerra (1940), a professora Nadir transmitia paz e amor à sua classe”, dizia um dos trechos da carta escrita pelo ex-aluno Jorge Tenório. O pastor Társis chamou-a de mestra extraordinária e Quiorato falou da menina carioca (ela nasceu no Rio), que veio para Alagoas lecionar com um estilo dócil, recheado de amor.

Gratidão pública

O pastor da igreja, Roberto Amorim de Menezes, buscou no Salmo 100 a expressão da gratidão pública que o salmista apresenta a Deus para dizer que a professora (ou irmã) Nadir Souza, é uma serva que soube assumir o compromisso da consagração de sua vida. Isto, segundo ele, não apenas como professora, mas, também, como evangelista.

O Salmo fala de três marcas de um coração agradecido, que são: 1) Coração tomado pela alegria, jubiloso; 2) A consciência de quem é Deus e quem é o homem; 3) O compromisso da consagração. “A irmã Nadir soube observar e seguir essas marcas, o que leva a igreja, esta noite, a agradecer a Deus por sua preciosa vida”, enfatizou o pastor.

Vida consistente

Vida consagrada é a expressão de uma vida alegre, plena; vida consistente de sentido e propósito, dedicada ao serviço, ao amor e à harmonia, aos frutos do trabalho honesto e à proclamação do Evangelho de Jesus Cristo, seus requisitos e mandamentos. E a professora ‘mão de ferro’, na sala de aula ou onde estivesse, levava a sério estes princípios.

Hoje, com 100 anos, falando mansamente, porque sua saúde, desgastada pelo tempo, já não permite mais se movimentar, ver e fazer as coisas com o entusiasmo e agilidade de antigamente, irmã Nadir assistiu a tudo que falaram de bem a seu respeito com um sorriso. Era a expressão de gratidão por tantas homenagens no dia do seu centenário.

Homenagens, aplausos

“Eu não fiz nada para merecer tudo isso”, disse, pausadamente, ao receber um buquê de flores que o ex-aluno Jorge Tenório enviou pelo seu filho, nora e neto que o representou na celebração. Ele não pode comparecer por motivos de saúde. Mas o relato que escreveu deixou todos emocionados por suas palavras afáveis dirigidas à mestra Nadir Souza.

A homenagem foi organizada pela Comissão Social da Igreja, com a participação da diretora de Educação Religiosa, Claudia Menezes. O diácono Esdras Braga, autor da proposta, diz que não teve o privilégio de estudar com a professora, “mas a conheço o suficiente para assegurar que ela soube transformar o magistério em ministério, sendo uma autentica evangelista”.

Outro momento importante na homenagem foi quando os dez ex-alunos que estavam presentes pediram para ser fotografados com a professora. Na saída da igreja, todos que assistiram à celebração aplaudiram a educadora, de pé.  

Linha dura

Em entrevista dada há cinco anos, Nadir Souza explicou que era chamada ‘mão de ferro’ porque as pessoas passavam por sua classe, com 50 alunos, e não percebiam nem que tinha gente ali. “A minha disciplina era dura! Eu sempre fui assim, porque ninguém pode ensinar com uma classe barulhenta. E eu queria o melhor aproveitamento para os meus alunos”.

O apelido não chegava a ser bullyng, que representa hoje um tormento na vida de alunos e mesmo de adultos nas escolas. Ela não se importava em ser chamada ‘mão de ferro’. “Nunca liguei! Eu seguia o conselho de Salomão (Provérbios 22.6), ensinando o caminho em que os alunos deveriam andar no tocante aos estudos, pois este era o meu dever”, concluiu.

Raimundo Gomes
Especial para a Gazeta

Fotos por Albenia Praxedes
www.albeniapraxedes.com.br


Pastor Roberto agradece a Deus pela vida preciosa de uma professora que transformou o magistério e ministério


No Salão Social, irmã Nadir, na hora do lanche, com o pastor Roberto e a comissão organizadora da festa